sábado, 17 de março de 2012

Amar é...


O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo.

A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negócio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável.

Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam.

Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos.

De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim... porque, ainda além de tudo o que aqui existe, há um mundo onde vivem para sempre todos os que ousaram amar...


a) José Luís Nunes Martins, publicado em 17 Mar 2012  em ionline
Este texto "bateu-me" de tal modo, por razões pessoais, que não consegui evitar deixá-lo aqui também para os meus leitores e para não o "perder de vista". Sendo o seu autor tão novo, estranho tanta profundidade na sua exposição ou então... está profundamente apaixonado e não tem experiência do que o amor é capaz de fazer às pessoas.
imagem retirada do Google

8 comentários:

  1. "Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo."

    Não é. Nada disso. É preciso baixar a fasquia e deixar alguma coisa, para quem ama. Do que fala é de paixão desvairada, radical em que quem ama abdica de si... Não precisa ser assim. Amar é dar a vida a um outro? Basta que lhe dê parte... Arriscar tudo? Mas que arriscar se não houver a contrapartida da partilha desse risco? Amar é a coisa mais difícil de definir, mas não é, de certeza, uma exigência de despersonalização. Talvez um pouco, mas tanto não...

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    1. Concordo contigo querido amigo.
      Se dermos o nosso amor em exclusividade ao outro ficamos bloqueados para outras dádivas tão importantes quanto o amor entre um Homem e uma Mulher.
      O AMOR, como eu o entendo é muito MAIOR do que SÓ isso.

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  2. Vou pela segunda hipótese, Tite. Ele ainda não sabe discernir entre amor e paixão, mas com o tempo vai aprender, como eu aprendi, que amor é, acima de tudo, partilha e a paixão um egoísmo cego.
    Bom fds

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    1. Carlos,

      Amor é dádiva sim mas, como tu dizes é partilha, compreensão e, mais tarde companheirismo.

      Boa semana

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  3. Também me parece um pouco exacerbado este conceito de amor...mas talvez seja por já ter vivido tanto ou por ser muito demasiado autónoma! :-))

    Abraço

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    1. É o meu caso querida amiga.

      Amor não pode ser a anulação total do outro. TEM que ser respeito mútuo sem anulação de personalidades pois é a diferença que nos atrai.

      Abraço para ti tb

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  4. A expressão máxima do amor está aí na celebração da Páscoa.
    Um abraço e Bom Domingo

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    1. Uma boa semana para ti também amiga Elvira

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